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Tradição 4 · 1º de abril

Mas governo, não

Tradições diárias · 1º de abril

A ameaça

A Quarta Tradição responde à mais antiga ameaça a um grupo: alguém de fora decidindo como ele deve ser dirigido, e um dos primeiros a tentar foi o próprio cofundador de A.A. Bill W. queria administrar todo o movimento a partir de Nova York, e contou o que aconteceu (Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade): “Mas logo descobri que não podia fazer nada disso. Nem ninguém mais na Sede de A.A.” Os grupos lhe responderam com clareza: “Não vamos ter um governo pessoal em Nova York, nem em lugar nenhum. Serviços, sim. Mas governo, não.” A Forma Longa pôs a resposta deles por escrito (Livro Azul, p. 563): “Em seus próprios assuntos, cada grupo de A.A. não deve responder a nenhuma outra autoridade além de sua própria consciência.” Seus próprios assuntos quer dizer seus próprios negócios: quando e onde se reúne, como a reunião é conduzida, quem serve, o que a sacola paga. Nenhuma outra autoridade quer dizer nenhuma mesmo: nem o fundador, nem o escritório em Nova York, nem o proprietário do imóvel. Se o homem que ajudou a começar A.A. não podia dirigir um grupo de fora, ninguém pode. Hoje o gerente de fora costuma ser o prédio: uma instituição que define o horário, o formato e quem coordena a reunião, e pode encerrá-la quando o programa dela mudar. Teste esta noite: pergunte quem decidiu como a sua reunião funciona e quando os membros votaram sobre isso pela última vez.

Para refletir

Os grupos disseram ao próprio cofundador de A.A. que ele podia servi-los, mas não governá-los. Quem, fora do meu grupo, decide como ele funciona?

Fundamentado em: forma longa, Tradição 4 (Livro Azul, p. 563); Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade (Tradição Quatro: “Serviços, sim. Mas governo, não.”)

Tradição 4

“Cada grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros grupos ou a A.A. em seu conjunto.”
Leia a Forma Longa (pp. 563–566). A forma curta, nas pp. 561–562, é a que todo mundo cita — mas é na Forma Longa que as Tradições realmente dizem o que querem dizer. A cláusula “nenhuma outra afiliação” da Tradição 3, por exemplo, existe somente na Forma Longa. Essa única cláusula é o motivo pelo qual nenhum centro de tratamento pode ser dono de um grupo de A.A. A maior parte do que circula na internet a ignora.

E uma distinção que vale a pena manter clara: as Tradições são governança, não teologia. Elas obrigam os grupos de A.A. e a Irmandade — não os indivíduos, nem empresas de fora. Foram adotadas em 1950 para impedir que A.A. fosse possuído ou cooptado. Não são um manual para a sua vida pessoal.

Tradições diárias é um recurso educacional independente da Recovery Starts — não é literatura oficial de A.A., não tem vínculo com a Alcoholics Anonymous World Services e não é orientação médica. As Doze Tradições são propriedade de A.A. As referências de página são do Alcoólicos Anônimos, 4ª edição (o Livro Azul, em inglês): forma curta 561–562, forma longa 563–566. Se você estiver em crise, ligue para o 988 (Suicide & Crisis Lifeline, EUA; peça um intérprete de português) ou, no Brasil, para o CVV no 188.