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As Doze Tradições

A forma longa das Doze Tradições, do Livro Azul (Alcoholics Anonymous, 4ª edição, pp. 563–566), em nossa tradução fiel do texto em inglês.

  1. Cada membro de Alcoólicos Anônimos é apenas uma pequena parte de um grande todo. A.A. precisa continuar vivo, ou a maioria de nós certamente morrerá. Por isso, nosso bem-estar comum vem em primeiro lugar. Mas o bem-estar individual vem logo em seguida.
  2. Para nosso propósito de grupo, há somente uma autoridade suprema — um Deus amantíssimo que Se manifesta em nossa consciência de grupo.
  3. Nossa composição de membros deve incluir todos os que sofrem de alcoolismo. Por isso, não podemos recusar ninguém que deseje recuperar-se. Tampouco deve a condição de membro de A.A. depender jamais de dinheiro ou de conformidade. Quaisquer dois ou três alcoólicos reunidos com o propósito de sobriedade podem considerar-se um grupo de A.A., contanto que, como grupo, não tenham nenhuma outra afiliação.
  4. Em seus próprios assuntos, cada grupo de A.A. não deve responder a nenhuma outra autoridade além de sua própria consciência. Mas, quando seus planos dizem respeito também ao bem-estar de grupos vizinhos, esses grupos devem ser consultados. E nenhum grupo, comitê regional ou indivíduo deve jamais tomar qualquer ação que possa afetar profundamente A.A. em seu conjunto sem consultar os custódios da Junta de Serviços Gerais. Nessas questões, nosso bem-estar comum tem primazia.
  5. Cada grupo de Alcoólicos Anônimos deve ser uma entidade espiritual com um único propósito primordial — o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre.
  6. Problemas de dinheiro, propriedade e autoridade podem facilmente nos desviar de nosso objetivo espiritual primordial. Pensamos, portanto, que qualquer propriedade considerável e de real utilidade para A.A. deve ser constituída e administrada separadamente, dividindo assim o material do espiritual. Um grupo de A.A., como tal, jamais deve entrar em negócios. Auxílios secundários a A.A., como clubes ou hospitais, que exigem muita propriedade ou administração, devem ser constituídos e separados de modo que, se necessário, possam ser livremente descartados pelos grupos. Por isso, tais instalações não devem usar o nome de A.A. Sua administração deve ser responsabilidade exclusiva das pessoas que as sustentam financeiramente. Para os clubes, costumam-se preferir administradores de A.A. Mas os hospitais, bem como outros locais de recuperação, devem ficar bem fora de A.A. — e sob supervisão médica. Embora um grupo de A.A. possa cooperar com qualquer pessoa, essa cooperação jamais deve chegar ao ponto de afiliação ou endosso, real ou implícito. Um grupo de A.A. não pode vincular-se a ninguém.
  7. Os próprios grupos de A.A. devem ser totalmente sustentados pelas contribuições voluntárias de seus próprios membros. Pensamos que cada grupo deve alcançar logo esse ideal; que qualquer solicitação pública de fundos usando o nome de Alcoólicos Anônimos é altamente perigosa, seja por grupos, clubes, hospitais ou outras entidades externas; que aceitar grandes doações, de qualquer origem, ou contribuições que acarretem qualquer obrigação, é imprudente. Vemos também com grande preocupação as tesourarias de A.A. que continuam, além de reservas prudentes, a acumular fundos sem nenhum propósito declarado de A.A. A experiência nos tem advertido muitas vezes de que nada pode destruir tão seguramente nossa herança espiritual como as disputas inúteis por propriedade, dinheiro e autoridade.
  8. Alcoólicos Anônimos deve manter-se sempre não profissional. Definimos profissionalismo como a ocupação de aconselhar alcoólicos mediante remuneração ou contrato. Mas podemos empregar alcoólicos para desempenhar os serviços que, de outro modo, talvez tivéssemos de confiar a não alcoólicos. Tais serviços especiais podem ser bem remunerados. Mas o nosso trabalho habitual de “Doze Passos” em A.A. jamais deve ser pago.
  9. Cada grupo de A.A. precisa da menor organização possível. A liderança rotativa é a melhor. O grupo pequeno pode eleger seu secretário; o grupo grande, seu comitê rotativo; e os grupos de uma grande área metropolitana, seu comitê central ou de intergrupo, que muitas vezes emprega um secretário em tempo integral. Os custódios da Junta de Serviços Gerais são, na prática, nosso Comitê de Serviços Gerais de A.A. São os guardiões de nossa Tradição de A.A. e os recebedores das contribuições voluntárias de A.A. com as quais mantemos nosso Escritório de Serviços Gerais de A.A. em Nova York. Eles são autorizados pelos grupos a cuidar de nossas relações públicas em geral e garantem a integridade de nosso principal periódico, o A.A. Grapevine. Todos esses representantes devem ser guiados pelo espírito de serviço, pois os verdadeiros líderes em A.A. são apenas servidores de confiança e experientes do todo. Não derivam nenhuma autoridade real de seus títulos; não governam. O respeito universal é a chave de sua utilidade.
  10. Nenhum grupo ou membro de A.A. deve jamais, de modo a envolver A.A., expressar qualquer opinião sobre questões controversas alheias — particularmente as de política, reforma do álcool ou religião sectária. Os grupos de Alcoólicos Anônimos não se opõem a ninguém. Sobre tais assuntos, não podem expressar nenhum ponto de vista.
  11. Nossas relações com o público em geral devem caracterizar-se pelo anonimato pessoal. Pensamos que A.A. deve evitar a publicidade sensacionalista. Nossos nomes e fotografias como membros de A.A. não devem ser divulgados por rádio, filmados nem impressos publicamente. Nossas relações públicas devem ser guiadas pelo princípio da atração em vez da promoção. Nunca há necessidade de elogiar a nós mesmos. Achamos melhor deixar que nossos amigos nos recomendem.
  12. E, por fim, nós, de Alcoólicos Anônimos, acreditamos que o princípio do anonimato tem um imenso significado espiritual. Ele nos lembra que devemos colocar os princípios acima das personalidades; que devemos de fato praticar uma humildade genuína. Isso para que nossas grandes bênçãos jamais nos estraguem; para que vivamos para sempre em grata contemplação Daquele que preside a todos nós.

A forma curta e a forma longa, lado a lado →

Os Doze Conceitos para o Serviço Mundial

Os Conceitos descrevem como funciona a estrutura de serviço mundial de A.A. — da consciência de grupo à Junta de Serviços Gerais. Escritos por Bill W. em 1962.

  1. A responsabilidade final e a autoridade suprema pelos serviços mundiais de A.A. devem sempre residir na consciência coletiva de toda a nossa Irmandade.
  2. A Conferência de Serviços Gerais de A.A. tornou-se, para quase todos os fins práticos, a voz ativa e a consciência efetiva de toda a nossa Sociedade em seus assuntos mundiais.
  3. Para assegurar uma liderança eficaz, devemos dotar cada elemento de A.A. — a Conferência, a Junta de Serviços Gerais e suas corporações de serviço, seus funcionários, comitês e executivos — de um “Direito de Decisão” tradicional.
  4. Em todos os níveis de responsabilidade, devemos manter um “Direito de Participação” tradicional, que permita uma representação com direito a voto em proporção razoável à responsabilidade que cada um deve cumprir.
  5. Em toda a nossa estrutura, deve prevalecer um “Direito de Apelação” tradicional, para que a opinião da minoria seja ouvida e as queixas pessoais recebam cuidadosa consideração.
  6. A Conferência reconhece que a principal iniciativa e a responsabilidade ativa na maioria dos assuntos de serviço mundial devem ser exercidas pelos custódios membros da Conferência, atuando como a Junta de Serviços Gerais.
  7. A Ata de Constituição e o Estatuto da Junta de Serviços Gerais são instrumentos legais que dão aos custódios poderes para administrar e conduzir os assuntos do serviço mundial. A Ata de Constituição da Conferência não é um documento legal; apoia-se na tradição e no poder da bolsa de A.A. para sua eficácia final.
  8. Os custódios são os principais planejadores e administradores da política e das finanças gerais. Exercem supervisão como guardiões sobre os serviços constituídos separadamente como corporações e em atividade constante, o que fazem por meio de sua capacidade de eleger todos os diretores dessas entidades.
  9. Uma boa liderança de serviço em todos os níveis é indispensável para nosso funcionamento e nossa segurança no futuro. A liderança principal do serviço mundial, antes exercida pelos fundadores, deve necessariamente ser assumida pelos custódios.
  10. Cada responsabilidade de serviço deve corresponder a uma autoridade de serviço igual, e o alcance dessa autoridade deve ser bem definido.
  11. Os custódios devem sempre contar com os melhores comitês, diretores das corporações de serviço, executivos, funcionários e consultores possíveis. A composição, as qualificações, os procedimentos de ingresso e os direitos e deveres serão sempre assuntos de séria preocupação.
  12. A Conferência observará o espírito da Tradição de A.A., tendo grande cuidado para que nunca se torne sede de perigosa riqueza ou poder; que fundos de operação suficientes e uma reserva sejam seu princípio financeiro prudente; que não coloque nenhum de seus membros em posição de autoridade irrestrita sobre os outros; que chegue a todas as decisões importantes por meio de discussão, votação e, sempre que possível, por unanimidade substancial; que suas ações jamais sejam pessoalmente punitivas nem um incitamento a controvérsia pública; que jamais pratique atos de governo e que, como a Sociedade a que serve, permaneça sempre democrática em pensamento e ação.

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