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Tradição 1 · 2 de janeiro

Contando Cabeças

Tradições diárias · 2 de janeiro

Antes da Tradição

Antes de existir uma palavra de Tradição, dois homens contaram seus amigos sóbrios e ficaram com medo de não conseguirem continuar juntos. Um dia de novembro de 1937, na sala de estar do Dr. Bob, em Akron. Bill W. contou isso em St. Louis (Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade): “Ao todo, calculamos que mais de quarenta alcoólicos estavam completamente secos.” Choraram de alegria. Depois veio o medo: “As forças que dividem a sociedade em toda parte acabariam por nos invadir e nos esmagar”. Os Passos ainda não estavam escritos e o livro mal passava de uma ideia. Não havia regras em que se apoiar, só a pergunta: “Como poderíamos nos manter unidos e nos agarrar à nossa nova corda de salvação”. Uma corda de salvação é a corda atirada a quem está se afogando. Nove anos depois, esse medo virou a segunda frase da Forma Longa (Livro Azul, p. 563): “A.A. precisa continuar vivo, ou a maioria de nós certamente morrerá.” Não deveria. Precisa. Quarenta bêbados sóbrios eram quase todo o A.A. naquela tarde, e, se eles se dividissem, não sobraria nada para o quadragésimo primeiro. Hoje o quadragésimo primeiro continua lá fora, e uma sala ainda é tudo o que o separa da garrafa. Teste esta noite: conte as pessoas da sua sala e pergunte o que restaria para o próximo a atravessar a porta se este grupo se desfizesse.

Para refletir

Quarenta bêbados sóbrios já foram quase todo o A.A., e o primeiro medo deles era se desfazer. O que restaria para o próximo se o meu grupo se dividisse?

Fundamentado em: Forma longa, Tradição 1 (Livro Azul, p. 563); Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade (a palestra de abertura de Bill em St. Louis: a sala de estar do Dr. Bob, 1937).

Tradição 1

“Nosso bem-estar comum deve estar em primeiro lugar; a recuperação individual depende da unidade de A.A.”
Leia a Forma Longa (pp. 563–566). A forma curta, nas pp. 561–562, é a que todo mundo cita — mas é na Forma Longa que as Tradições realmente dizem o que querem dizer. A cláusula “nenhuma outra afiliação” da Tradição 3, por exemplo, existe somente na Forma Longa. Essa única cláusula é o motivo pelo qual nenhum centro de tratamento pode ser dono de um grupo de A.A. A maior parte do que circula na internet a ignora.

E uma distinção que vale a pena manter clara: as Tradições são governança, não teologia. Elas obrigam os grupos de A.A. e a Irmandade — não os indivíduos, nem empresas de fora. Foram adotadas em 1950 para impedir que A.A. fosse possuído ou cooptado. Não são um manual para a sua vida pessoal.

Tradições diárias é um recurso educacional independente da Recovery Starts — não é literatura oficial de A.A., não tem vínculo com a Alcoholics Anonymous World Services e não é orientação médica. As Doze Tradições são propriedade de A.A. As referências de página são do Alcoólicos Anônimos, 4ª edição (o Livro Azul, em inglês): forma curta 561–562, forma longa 563–566. Se você estiver em crise, ligue para o 988 (Suicide & Crisis Lifeline, EUA; peça um intérprete de português) ou, no Brasil, para o CVV no 188.