Converse com Recovery EinsteinVocê não está sozinho — de dia ou de noite
Passo 7 de 12 — Humildade

Passo 7: Rogando com Humildade

Um parágrafo, uma prece e um novo modo de nos colocarmos diante de Deus (página 76).

O Passo 7 diz: “Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.” Esse é o Passo inteiro, como o Livro Azul o lista na página 59, e pode ser a menor peça de trabalho do livro. Quando chegamos a ele, já escrevemos um inventário no Passo 4, admitimos a natureza exata de nossas falhas a Deus, a nós mesmos e a outra pessoa no Passo 5, e ficamos inteiramente prontos, no Passo 6, para que Deus removesse o que encontramos. O Passo 7 é simplesmente onde pedimos. Ocupa um único parágrafo na página 76 do capítulo Em Ação, e a maior parte desse parágrafo é uma prece.

O Que o Passo 7 Significa nos Termos do Livro Azul

Nossas imperfeições já não são um mistério a esta altura. São as coisas específicas que o nosso inventário revelou: o ressentimento, que o Livro Azul chama de ofensor número um (página 64), junto com o medo, a desonestidade e as exigências egoístas às pessoas à nossa volta. O livro já nomeou a raiz principal: “Egoísmo—egocentrismo! Essa, pensamos, é a raiz de nossos problemas” (página 62). Os Passos 6 e 7 dividem a página 76 por uma razão. O Passo 6 faz uma pergunta de prontidão: “Estamos agora prontos para deixar que Deus remova de nós todas as coisas que admitimos serem inaceitáveis?” (página 76). O Passo 7 é o que fazemos no momento em que a resposta é sim. Repare em quem faz a remoção. Não cerramos os dentes para nos aperfeiçoar sozinhos. Tendo provado a nós mesmos no Passo 1 que a força de vontade não resolvia a nossa bebida, não esperamos que resolva o nosso caráter. Pedimos a Deus, na forma em que O concebemos, que faça por nós o que não podíamos fazer por nós mesmos.

Como o Livro Azul Nos Diz para Dar o Passo

A instrução da página 76 é desarmantemente simples. “Quando estivermos prontos, dizemos algo assim” (página 76), diz-nos o livro, e então traz a Oração do Sétimo Passo. Começamos: “Meu Criador, estou agora disposto a que Tu tenhas tudo de mim, o bom e o mau” (página 76). Pedimos que Ele remova “cada um dos defeitos de caráter que me impedem de ser útil a Ti e aos meus semelhantes” (página 76). Terminamos: “Dá-me forças, ao sair daqui, para cumprir a Tua vontade” (página 76). Depois vem a frase final, discreta: “Terminamos então o Sétimo Passo” (página 76). Sem cerimônia, sem período de espera, sem aprovação de comitê.

Dois detalhes dessa prece carregam todo o sentido da palavra humildemente. Primeiro, oferecemos a Deus tudo de nós, o bom e o mau. A humildade aqui não é rastejar; é honestidade sobre o nosso tamanho real, a mesma honestidade que praticamos em nosso inventário. Segundo, a régua é a utilidade. Não pedimos para ficar confortáveis, admirados ou impecáveis. Pedimos que seja removido tudo o que nos impede de ser úteis a Deus e às pessoas à nossa volta. Essa única palavra reordena silenciosamente nossas ambições. Repare também que o livro diz que rezamos algo assim. As palavras são um modelo, não uma fórmula mágica. O que importa é que as digamos de verdade.

O Que Muda e o Medo Que Trazemos a Este Passo

O que muda primeiro é a direção. A prece pede forças para sair e cumprir a vontade de Deus, e a frase seguinte na página 76 já se volta para a ação, lembrando-nos de que “A fé sem obras é morta” (página 76) e apontando direto para os Passos 8 e 9. O Passo 7 é a dobradiça entre a faxina que fizemos no papel e as reparações que agora fazemos pessoalmente. A remoção de nossos defeitos então aparece na vida diária, e não num único raio. A página 84 mostra o Passo virando reflexo. À medida que continuamos atentos ao egoísmo, à desonestidade, ao ressentimento e ao medo, “Quando surgem, pedimos a Deus de imediato que os remova” (página 84). Pedimos uma vez na página 76; continuamos pedindo pelo resto da vida, e descobrimos que o pedido funciona.

Aqui vai a parte honesta. Muitos de nós temem este Passo por dois motivos opostos. Alguns suspeitam em segredo que os nossos defeitos são a nossa personalidade, e que, se Deus os removesse, não restaria nada, sem fibra, sem humor, sem impulso. Outros rezam a prece, se flagram ressentidos de novo na quinta-feira e concluem em silêncio que o Passo fracassou. O Livro Azul responde aos dois medos do mesmo modo. “Não somos santos” (página 60), diz com clareza, e “Reivindicamos progresso espiritual, e não perfeição espiritual” (página 60). Deus não remove o nosso ser pessoal; remove o que o bloqueia. E Ele não parece remover numa só transação aquilo de que ainda estamos meio gostando. A nossa parte é a disposição e o pedido. A parte Dele é a remoção, no Seu tempo, em geral na medida em que entramos nos Passos de ação que se seguem.

É exatamente para onde o livro nos manda a seguir. O Passo 8 nos pede que façamos uma relação de todas as pessoas que prejudicamos e que nos disponhamos a reparar os danos a todas elas, e a página 76 nos diz que a relação já está em nossas mãos: “Fizemo-la quando fizemos o inventário” (página 76). Tendo rogado com humildade, saímos daqui com trabalho a fazer.

— Alcoholics Anonymous (Livro Azul), 4ª edição (em inglês): p. 59 (Sétimo Passo como listado em Como Funciona); pp. 60, 62, 64 (Como Funciona: progresso, não perfeição; o egoísmo como raiz; o ressentimento como ofensor número um); p. 76 (Em Ação: Sexto e Sétimo Passos, a Oração do Sétimo Passo, transição para o Oitavo e o Nono); p. 84 (Em Ação: Décimo Passo, pedir a Deus de imediato que remova os defeitos).

Respostas rápidas

O que é a Oração do Sétimo Passo e em que página está?

A Oração do Sétimo Passo está na página 76 do Livro Azul, no capítulo Em Ação. Oferecemos a Deus tudo de nós, o bom e o mau, pedimos que Ele remova “cada um dos defeitos de caráter que me impedem de ser útil a Ti e aos meus semelhantes” (página 76) e pedimos forças para cumprir a Sua vontade. O livro a apresenta como algo que dizemos, em palavras como estas, de modo que dizê-la de verdade importa mais que recitá-la com perfeição.

Imperfeições e defeitos de caráter são coisas diferentes em A.A.?

O Livro Azul os trata como a mesma coisa vista a partir do mesmo inventário. O Passo 7 diz imperfeições (página 59), o Passo 6 fala das coisas que admitimos serem inaceitáveis (página 76), e a Oração do Sétimo Passo pede a Deus que remova cada um dos defeitos de caráter (página 76). Palavras diferentes, uma só lista: os ressentimentos, os medos, o egoísmo e a desonestidade que o nosso Quarto Passo revelou.

Este é o guia de estudo original do Livro Azul de Recovery Einstein — um recurso educativo independente, não é literatura oficial de A.A. nem orientação médica. As referências de página são de Alcoholics Anonymous (o Livro Azul), 4ª edição (em inglês). Se você estiver em crise, ligue para o 988 (Suicide & Crisis Lifeline, EUA; peça um intérprete de português) ou, no Brasil, para o CVV no 188.